Quanto cobrar por stories: um quadro, sequência de 3 e combo

Story some em 24 horas e dá menos trabalho que um vídeo, e por isso todo mundo chuta o preço. Veja como calcular pelo seu alcance real e pelo seu tempo, por que três stories não custam três vezes um, o que cobrar a mais por link e destaque e como apresentar o valor.

Thiago Araújo 5 min de leitura
Criadora ajustando o celular num ring light antes de gravar

Story é o formato mais pedido por marca pequena e o mais mal precificado. Como some em 24 horas e se grava em minutos, o criador cobra "qualquer coisa", e a marca oferece menos ainda. Dá para fazer melhor com dois números que só você tem.

Este artigo aplica aos stories o mesmo método de quanto cobrar por publi: um piso que vem do seu trabalho e uma referência que vem do seu alcance.

Os dois números

Abra as métricas da sua conta e anote, dos últimos dez stories:

  1. A mediana de visualizações. Ordene os dez e pegue o valor do meio. Mediana, não média, para um story que foi muito bem não inflar a conta.
  2. Quanto tempo leva uma sequência, do roteiro ao último quadro, contando a conversa com a marca e os ajustes.

Um detalhe que só existe em story: a audiência cai de um quadro para o outro. O primeiro tem mais visualizações que o terceiro. Para precificar uma sequência, olhe o alcance do último quadro das suas sequências recentes. É ele que diz quantas pessoas viram a história inteira.

O piso: o seu tempo

Piso = horas de produção × o valor da sua hora + custos diretos

Story parece instantâneo, mas uma sequência de publi tem roteiro, gravação, legenda, marcação da marca, selo de parceria paga, envio para aprovação e print de comprovação. Conte tudo.

Se uma sequência de três quadros leva uma hora e meia e você definiu a sua hora em R$ 60, o piso é R$ 90. Abaixo disso você paga para trabalhar. Esse número não depende de quantos seguidores você tem.

A referência: o seu alcance

Referência = (visualizações ÷ 1.000) × CPM

CPM é o custo por mil visualizações, a régua que a marca usa para comparar com anúncio. Não existe um CPM público e confiável para criadores no Brasil, e não vou inventar um. O jeito de achar o seu está no artigo principal: dividir o que você já recebeu pelas visualizações que entregou, pedir mais de uma proposta, ou perguntar à marca quanto ela paga em mídia.

Criador de gorro pensando, sentado diante de um ring light

Um exemplo, com números hipotéticos

Só para mostrar o mecanismo. Troque pelos seus.

Conta com mediana de 1.200 visualizações por story, sendo 900 no último quadro de uma sequência. Hora a R$ 60. CPM hipotético de R$ 40.

Entrega Tempo Piso Referência pelo alcance Onde o preço deve ficar
1 story 40 min R$ 40 1,2 × 40 = R$ 48 perto de R$ 50
Sequência de 3 1h30 R$ 90 3 quadros, cerca de 3.000 visualizações × 40 = R$ 120 entre R$ 90 e R$ 120
Combo de 3 + link + destaque por 15 dias 1h45 R$ 105 a referência acima, mais o que o destaque e o link acrescentam acima da sequência simples

Duas leituras:

Três stories não custam três vezes um. O trabalho não triplicou, porque roteiro, conversa e aprovação são os mesmos. E as visualizações dos três quadros são, em boa parte, das mesmas pessoas. A marca não está comprando três audiências, está comprando uma história contada em três partes.

Em conta pequena, quem manda é o piso. Se a referência pelo alcance ficar abaixo do seu custo, cobre o custo. O vídeo leva o mesmo tempo para quem tem mil e para quem tem cem mil visualizações.

O que sobe o preço, com justiça

  • Link e chamada para ação. A marca recebe cliques, não só exposição.
  • Destaque. Tira o story da regra das 24 horas. Sempre com prazo.
  • Roteiro e aprovação. Texto aprovado pela marca dá mais trabalho que story livre.
  • Exclusividade. Não falar de concorrente por um período tem preço.
  • Direito de uso. Se a marca quer repostar ou usar em anúncio, é outro item, como mostramos em direitos de uso.
  • Urgência. "Para hoje" custa mais.

O que não deve derrubar o preço

  • "É só um storyzinho." O tamanho do arquivo não é o tamanho do trabalho.
  • "Você tem poucos seguidores." O seu piso não muda com isso.
  • "Depois a gente fecha um pacote maior." Promessa não paga a entrega de hoje.

Como responder a cada uma está em a proposta veio baixa.

Como apresentar

Em pacote, não em preço unitário solto. Três linhas resolvem:

  • 1 story com marcação da marca
  • Sequência de 3 stories com link
  • Sequência de 3 + destaque por 15 dias

Cada uma com o seu valor e com o alcance médio ao lado. A marca compara, escolhe a do meio com frequência, e você não precisa justificar cada real.

No seu perfil de criador, o preço de story aparece ao lado dos outros formatos. É por ele que a marca decide mandar a proposta, e ele é ponto de partida: se a proposta vier com link, destaque e roteiro aprovado, a contraproposta sobe.

Antes de aceitar

Deixe por escrito quantos quadros, o dia, se tem link e destaque, o que precisa aparecer e o valor. Publicidade sinalizada em todos os quadros. E tire os prints no mesmo dia, antes de sumir: story é o único formato em que a prova da entrega expira em 24 horas. O que guardar está em como comprovar a entrega.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar por 3 stories?

Menos que três vezes o preço de um, porque o trabalho não triplica, e mais que um, porque a marca recebe uma história completa. Calcule o piso pelo tempo de produção da sequência inteira e a referência pelo alcance do último quadro, que é o menor.

Uso o número de seguidores para definir o preço do story?

Não. Use a mediana de visualizações dos seus últimos stories, que é quantas pessoas de fato veem. Seguidor é o tamanho da lista, visualização é a entrega, e a marca compara com o que ela pagaria por esse alcance.

Cobro a mais para colocar link no story?

O link em si não custa trabalho, mas muda o que a marca recebe, porque leva gente direto para a página dela. É razoável que a sequência com link e chamada para ação valha mais que a só de exposição. Informe os cliques de campanhas anteriores, se tiver.

E para deixar nos destaques?

Cobre à parte e com prazo. Destaque tira o story da regra das 24 horas e ocupa um espaço fixo do seu perfil. Combine por quanto tempo fica, por exemplo 15 ou 30 dias.

Story vale menos que reels?

Quase sempre o preço é menor, porque a produção é mais rápida e o conteúdo some em um dia. Mas são entregas diferentes. O story leva ao clique na hora, o reels fica no perfil e alcança quem não segue. Compare cada um com o mesmo formato de outros criadores.