Quanto cobrar por publi: o cálculo para 5 mil, 20 mil e 100 mil seguidores
Não existe tabela oficial de preço no Brasil. Existe uma conta que você faz com os seus próprios números — e ela protege você melhor que qualquer tabela.
Toda semana alguém pergunta a mesma coisa em grupo de criador: "quanto cobrar por um post?". E toda semana aparece alguém respondendo com uma regra do tipo "R$ 10 por mil seguidores".
Essa regra é o motivo de muita gente cobrar de menos.
Por que a tabela por seguidor engana
Seguidor é um número acumulado. Ele conta quantas pessoas apertaram um botão em algum momento — inclusive há três anos, inclusive contas que não existem mais.
O que a marca compra não é isso. É quantas pessoas vão ver o conteúdo dela. E os dois números se descolaram: hoje é comum um perfil de 50 mil seguidores entregar menos visualizações que um de 8 mil, porque o alcance passou a depender muito mais do desempenho de cada publicação do que do tamanho da base.
Cobrar por seguidor faz duas coisas ruins ao mesmo tempo: quem tem base grande e entrega fraca cobra caro demais e não fecha; quem tem base pequena e entrega forte cobra barato demais e trabalha de graça.
Comece pelos dois números que só você tem
Antes de pensar em preço, abra o seu Instagram Insights, o TikTok Analytics ou o YouTube Studio e anote duas coisas das últimas dez publicações do formato que a marca quer:
- A mediana de visualizações. Mediana, não média — uma publicação que viralizou distorce a média para cima e faz você prometer o que não repete. Ordene as dez, pegue o valor do meio.
- Quanto tempo você leva para produzir, do roteiro à entrega, incluindo a conversa com a marca e as alterações. Conte honestamente. Quase todo mundo subestima em metade.
Esses dois números são o seu chão e o seu teto.
O piso: o que o trabalho custa
O piso é simples e não tem nada a ver com audiência. É o que você precisa receber para que aquele trabalho não seja prejuízo.
Piso = horas de produção × o quanto vale a sua hora + custos diretos
Custos diretos são deslocamento, cenário, figurino, edição terceirizada, tráfego pago se houver. "O quanto vale a sua hora" é uma decisão sua — se nunca pensou nisso, um ponto de partida honesto é o que você ganharia por hora num trabalho equivalente no seu mercado.
Se uma publi leva 6 horas entre roteiro, gravação, edição e ajustes, e você define a sua hora em R$ 60, o piso daquela entrega é R$ 360. Abaixo disso você está pagando para trabalhar.
Esse número não sobe com o seu número de seguidores. Ele sobe quando o trabalho é maior.
O teto: o que a entrega vale para a marca
O teto vem do outro lado: a marca compara o seu preço com o de comprar aquele mesmo alcance em anúncio. A medida que ela usa se chama CPM — custo por mil visualizações.
Preço de referência = (mediana de visualizações ÷ 1.000) × CPM
Aqui está a parte que quase nenhum artigo diz com honestidade: eu não vou te dar o CPM "certo", porque não existe número público confiável para o Brasil, e chutar um seria te dar uma âncora falsa para negociar.
O que você pode fazer é descobrir o seu:
- Se já fechou alguma publi: divida o que recebeu pelas visualizações que aquela publicação teve, e multiplique por mil. Esse é o seu CPM praticado. Se ele estiver abaixo do que a marca pagaria em anúncio, você tem espaço para subir.
- Se nunca fechou nada: peça duas ou três propostas antes de aceitar a primeira, mesmo que não pretenda fechar. Três números da vida real valem mais que qualquer tabela de internet.
- Referência de mercado publicitário: pergunte à própria marca quanto ela paga de CPM nas campanhas de mídia paga dela. Muitas respondem — e a resposta te dá a régua exata daquela negociação.
Os três exemplos, com a conta aberta
Vou usar um CPM hipotético de R$ 40 e uma produção de 6 horas a R$ 60/hora, só para mostrar o mecanismo. Troque pelos seus números.
| Perfil | Mediana de views | Teto pelo alcance | Piso pelo trabalho | Quem manda no preço |
|---|---|---|---|---|
| 5 mil seguidores | 2.500 | R$ 100 | R$ 360 | o trabalho |
| 20 mil seguidores | 9.000 | R$ 360 | R$ 360 | empate |
| 100 mil seguidores | 45.000 | R$ 1.800 | R$ 360 | a audiência |
5 mil seguidores: cobre pelo trabalho
O piso é quase quatro vezes o teto. Isso não quer dizer que você deva cobrar R$ 100 — quer dizer o contrário: nessa faixa, quem manda no preço é o custo de produção.
É a resposta pronta para o "pago pouco porque você tem pouco seguidor". O vídeo leva as mesmas 6 horas para quem tem 5 mil e para quem tem 500 mil.
20 mil seguidores: o ponto de virada
Os dois números se encontram. É aqui que a audiência passa a pagar o trabalho, e a partir daqui cada aumento de alcance deve aparecer no preço — porque o esforço não aumenta junto.
100 mil seguidores: cobre pela entrega
Agora a audiência manda, e com folga. Continuar calculando "por hora" nessa faixa significa entregar R$ 1.440 de valor de graça em cada publi.
É o erro mais caro da lista, e o mais comum em quem cresceu rápido: o preço ficou parado no tempo em que a conta era pequena.
Repare no que mudou entre as três linhas da tabela: não foi o esforço, foi a entrega. E note que o número de seguidores só aparece no rótulo — a conta inteira é feita com visualizações.
O que legitimamente sobe o preço
Cada item abaixo é trabalho ou risco a mais, e cada um tem preço próprio:
- Exclusividade. Se você não pode falar de concorrente por 30, 60 ou 90 dias, está vendendo oportunidades futuras. Cobre por isso, e cobre proporcional ao prazo.
- Direitos de uso. Um Reels no seu perfil é uma coisa. A marca usar aquele vídeo em anúncio pago, no site dela ou em loja física é outra — é peça publicitária, e normalmente vale mais que a publicação original. Nunca inclua "de brinde".
- Prazo apertado. Entrega para depois de amanhã desorganiza a sua agenda. Tem preço.
- Roteiro fechado pela marca com muitas aprovações. Parece menos trabalho e costuma ser mais: são rodadas de ajuste que ninguém contou.
- Aparecer o rosto, a casa, a família. Isso é seu, não do pacote.
O que não deve derrubar o preço
- "É uma marca grande, vai te dar visibilidade." Visibilidade não é forma de pagamento.
- "É teste, se der certo a gente fecha um contrato maior." O teste custa o mesmo que o definitivo.
- "Outro criador cobrou menos." Provavelmente cobrou abaixo do próprio piso.
Como apresentar o número
Mande o preço por escrito, separado por item, e com validade. Algo assim:
| Item | Valor |
|---|---|
| 1 Reels no feed, roteiro conjunto, 1 rodada de ajuste | R$ X |
| Exclusividade de categoria por 30 dias | R$ Y |
| Direito de uso em mídia paga por 90 dias | R$ Z |
| Total | R$ X+Y+Z |
E embaixo, uma linha: proposta válida por 20 dias.
Separar por item faz duas coisas. Mostra à marca que cada linha é uma escolha — ela pode tirar o que não precisa em vez de pedir desconto no total. E deixa registrado o que está e o que não está incluído, que é onde nascem quase todos os desentendimentos.
E o pagamento?
Combinar preço é metade. A outra metade é garantir que ele chega.
O arranjo mais comum entre criador e marca pequena — postar primeiro e receber depois — coloca o risco inteiro de um lado só. Na Alpha o valor combinado fica retido antes de você produzir e é liberado quando o anunciante confere que a publicação saiu como combinado. Você não posta sem que o dinheiro já esteja separado, e a marca não paga por algo que não recebeu.
É o mesmo preço que você calculou aqui. Só que sem a parte de cobrar depois.
Perguntas frequentes
Existe uma tabela oficial de preço para influenciador no Brasil?
Não. Nenhum órgão, sindicato ou associação publica tabela de preço para publicidade com criador de conteúdo no Brasil. As "tabelas" que circulam são estimativas de agências, quase sempre sem dizer de onde saiu o número nem quantos contratos foram observados. Use-as como curiosidade, nunca como referência para fechar.
Posso cobrar por seguidor?
Pode, mas é a pior das bases. Seguidor é um número histórico, não uma entrega — uma conta com 50 mil seguidores que entrega 2 mil visualizações vale menos que uma de 8 mil que entrega 6 mil. Cobre pelo que você entrega hoje, que é a visualização, e use o número de seguidores só como referência de porte.
A marca pediu desconto porque vai me mandar produto. Aceito?
Só se o produto substituir uma despesa que você teria de qualquer jeito, e só considerando o preço que VOCÊ pagaria por ele, não o de tabela da marca. Permuta não paga aluguel nem imposto. E deixe explícito por escrito o valor atribuído ao produto — sem isso, a permuta vira desconto sem fim.
Quanto tempo o meu preço vale?
Trate a proposta como orçamento com validade, normalmente de 15 a 30 dias, e diga isso por escrito. Sem prazo, a marca volta seis meses depois cobrando o preço antigo, quando o seu alcance e o seu custo já mudaram.
Devo publicar a minha tabela de preços no perfil?
Publicar a faixa inicial ("a partir de") filtra quem não tem orçamento e economiza conversa. Publicar preço fechado por entrega tira o seu espaço de negociar exclusividade, direitos de uso e prazo — que é justamente onde o valor sobe. Na Alpha, o "a partir de" aparece no seu perfil e o resto se negocia na proposta.