UGC creator: o que é, o que a marca compra e como começar

No UGC a marca não compra a sua audiência, compra o vídeo. Veja o que é o trabalho de verdade, a diferença para a publi no próprio perfil, o que você precisa para começar, como montar um portfólio sem nunca ter sido contratado e o que não pode faltar no preço.

Thiago Araújo 5 min de leitura
Criadora mostrando uma paleta de maquiagem para o celular preso ao ring light

UGC é a sigla de user-generated content, conteúdo gerado por usuário. No mercado, virou o nome de um serviço bem específico: gravar vídeos no estilo "pessoa comum mostrando um produto" para a marca usar nos canais dela, quase sempre como anúncio.

A palavra que muda tudo nessa frase é "dela". No UGC você não publica nada no seu perfil. Você grava, edita e entrega os arquivos. Por isso a pergunta que trava tanta gente, "mas eu tenho poucos seguidores", simplesmente não se aplica.

O que a marca está comprando

Na publi tradicional a marca compra duas coisas juntas: o conteúdo e o público de quem publica. No UGC ela compra só a primeira, e por um motivo prático: vídeo com cara de pessoa real costuma funcionar melhor como anúncio do que arte de agência, e a marca precisa de muitos deles para testar.

Publi no seu perfil UGC
Quem publica Você A marca
O que a marca paga Conteúdo + seu público Conteúdo + direito de usar
O que pesa na escolha Audiência, nicho, cidade Portfólio, naturalidade, edição
Onde o vídeo aparece No seu perfil Nos canais e anúncios da marca

Os três modos de trabalho, lado a lado, estão em criador completo, veiculação ou UGC.

Homem ajustando uma câmera no tripé diante de produtos sobre a mesa

Os tipos de vídeo mais pedidos

  • Unboxing. Abrir, mostrar o que vem, primeira impressão.
  • Depoimento. Você falando para a câmera o que achou, com o produto na mão.
  • Demonstração. O produto em uso, passo a passo.
  • Problema e solução. A situação chata do dia a dia e como o produto entra.
  • Tutorial. Como fazer algo usando o produto.

Um cuidado: depoimento é a sua experiência. Não afirme resultado que você não teve nem prometa efeito em nome da marca, principalmente em saúde, beleza e finanças. Se o roteiro pedir isso, é motivo para conversar antes de gravar.

O que você precisa para começar

Menos do que parece:

  • Celular com câmera boa, gravando na vertical.
  • Luz. Janela de frente para você resolve. Ring light simples resolve à noite.
  • Áudio limpo. Ambiente silencioso vale mais que microfone caro. Vídeo com imagem média e som claro funciona; o contrário, não.
  • Um fundo arrumado. Cozinha, bancada, sofá. Lugar de casa, não cenário.
  • Edição básica. Cortes, legenda, ritmo. Os aplicativos gratuitos dão conta.

O que separa quem é contratado de quem não é raramente é o equipamento. É falar como gente e mostrar o produto nos primeiros segundos.

Portfólio sem nunca ter sido contratado

A marca precisa ver vídeo. Então grave:

  1. Escolha três a cinco produtos que você já tem em casa, de categorias diferentes.
  2. Grave um vídeo de cada, variando o tipo: um unboxing, um depoimento, uma demonstração.
  3. Mantenha entre 20 e 40 segundos, com legenda.
  4. Reúna num lugar só e diga com todas as letras que são exemplos, não trabalhos pagos.

Apresentar vídeo de demonstração como se fosse campanha contratada é o tipo de coisa que acaba com a conversa quando a marca descobre. Como exemplo honesto, ele faz exatamente o que precisa: mostra como você grava.

Como o preço se forma

No UGC não existe audiência para ancorar o valor. Ele se forma por três coisas:

  1. O trabalho. Roteiro, gravação, edição, quantas versões.
  2. A quantidade. Marcas costumam pedir pacotes de vídeos ou variações do mesmo (aberturas diferentes, por exemplo).
  3. O direito de uso. Onde a marca vai rodar, por quanto tempo, e se é em anúncio pago.

O terceiro é onde iniciante mais perde dinheiro: cobrar só pelas horas de gravação e entregar uso ilimitado e para sempre junto. Um vídeo que vai rodar como anúncio por seis meses não vale o mesmo que um post que a marca publica uma vez. O cálculo está em quanto cobrar por publi, e a visão do outro lado, em você pagou pelo vídeo, pode rodar como anúncio?.

O que escrever antes de gravar

  • quantos vídeos, de que tipo e com que duração;
  • quem escreve o roteiro e quantas rodadas de ajuste estão incluídas;
  • prazo de entrega;
  • onde a marca pode usar e por quanto tempo;
  • se você recebe o produto e se ele fica com você;
  • valor e quando é pago.

Ajuste infinito é o segundo ralo de dinheiro do UGC. Uma ou duas rodadas incluídas, o resto cobrado à parte, por escrito.

Onde aparece trabalho

Do mesmo jeito que qualquer parceria: a marca encontra o seu perfil, você se candidata a uma oportunidade aberta, ou você procura a marca com uma ideia. O roteiro completo está em como fechar parceria com marcas sendo iniciante.

Na Alpha, o modo de trabalho é um campo do perfil e aparece como selo e como filtro na busca. Quem faz UGC e não declara fica invisível justamente para a marca que procura isso. E o pagamento segue a mesma regra dos outros contratos: a marca paga antes, o valor fica retido e é liberado depois da entrega, que no UGC é o envio dos arquivos como foi combinado. Como registrar essa entrega está em como comprovar a entrega.

Antes de começar, o lado realista

UGC não depende de seguidores, mas depende de portfólio, de prazo cumprido e de saber ouvir ajuste sem levar para o lado pessoal. Tem trabalho de roteiro e de edição que não aparece no vídeo de 30 segundos. E, como em qualquer serviço, os primeiros contratos são os mais difíceis.

O que ele oferece de diferente é uma porta que não pede audiência. Se você grava bem e fala com naturalidade, três vídeos de exemplo já são suficientes para começar a conversa.

Perguntas frequentes

Preciso ter seguidores para ser UGC creator?

Não. No UGC a marca publica o vídeo nos canais dela ou roda como anúncio, então a sua audiência não entra na conta. O que ela avalia é o seu portfólio, ou seja, se você grava bem, fala com naturalidade e mostra o produto de um jeito que convence.

Qual a diferença entre UGC e publi?

Na publi você cria e publica no seu perfil, e a marca paga também pelo seu público. No UGC você cria e entrega os arquivos, e quem publica é a marca. São serviços diferentes, com preço formado de jeito diferente.

Que equipamento preciso para começar?

Um celular com boa câmera, luz de janela ou um ring light simples e um lugar silencioso. Áudio limpo importa mais que imagem perfeita. Microfone de lapela ajuda, mas não é o que separa um vídeo bom de um ruim.

Como monto portfólio se nunca fui contratado?

Grave três a cinco vídeos de demonstração com produtos que você já tem em casa, como se fossem para a marca. Varie o tipo, por exemplo um unboxing, um depoimento e um tutorial. Deixe claro que são exemplos, não trabalhos pagos.

Preciso sinalizar publicidade em vídeo UGC?

Quando a marca publica o vídeo como anúncio no canal dela, a identificação é responsabilidade dela e a própria plataforma marca como patrocinado. Se você também postar no seu perfil, aí é publicidade sua e precisa ser sinalizada.