Perfil de criador que recebe proposta: o que a marca olha antes de mandar

Cadastrar na vitrine é o passo fácil. O que faz uma marca abrir o seu perfil e mandar proposta é outro conjunto de coisas: preço por formato, nicho que se lê em dois segundos, cidade certa, métricas com print. Veja o que preencher, o que evitar e como a marca compara você com os outros.

Thiago Araújo 5 min de leitura
Criador ajustando o celular preso ao ring light antes de gravar em casa

Você se cadastrou, publicou o perfil e nada aconteceu. Antes de concluir que "não tem demanda", vale olhar o seu perfil do jeito que a marca olha: ela está com uma lista de criadores na tela, vai abrir dois ou três, e vai mandar proposta para um. O que faz o seu ser esse um?

A resposta não é seguidores. É clareza: em poucos segundos a marca precisa entender quem te assiste, o que você faz, quanto custa e como te contrata. Este artigo passa pelo perfil campo a campo, na ordem em que a marca lê.

O que a marca vê primeiro: nicho, cidade e público

Quando uma marca busca criador, ela filtra por três coisas antes de abrir qualquer perfil: nicho, cidade e tamanho de audiência. Se esses campos estiverem errados ou vazios, você não aparece — e perfil que não aparece não recebe proposta.

Nicho principal. Escolha o que descreve o seu conteúdo de hoje, não o que você gostaria de fazer. Marca de suplemento não abre perfil "Lifestyle"; ela filtra "Fitness". Se o seu conteúdo é fitness, diga fitness.

Cidade e estado. É o filtro que mais gera proposta para criador pequeno, porque comércio local só contrata quem tem público perto. Preencha a cidade onde está a maior parte da sua audiência — que normalmente é onde você mora, mas confira no painel.

Gênero e idade da audiência. Tire do painel da sua conta, não estime. A marca vai comparar com o cliente dela; se você diz "70% mulheres" e o print mostra 45%, a conversa morre ali. As métricas que a marca olha explica quais valem.

Criadora gravando no sofá com o celular no tripé

O que faz a marca abrir o seu perfil: foto e nome

Na lista, você é uma foto, um nome e três dados. A foto precisa mostrar o seu rosto (ou o que o seu conteúdo mostra, se você não aparece), com luz, sem texto em cima. Logo de marca pessoal em perfil de criador confunde: a marca quer ver com quem vai trabalhar.

O nome de exibição é o seu nome ou o nome do canal, como as pessoas te chamam. Não é o link do Instagram, não é o @ com sublinhado — isso já está no campo de usuário.

O que faz a marca mandar proposta: preço por formato

Aqui é onde a maior parte dos perfis perde a proposta. A marca está comparando; se o seu preço está lá e o do outro está "a combinar", ela manda proposta para você. Se é o contrário, ela manda para o outro.

Coloque um valor para cada formato que você faz: story, post, reels, vídeo. Se não sabe quanto cobrar, o cálculo por faixa de seguidores resolve; e se a proposta vier abaixo, você faz contraproposta — o preço do perfil é ponto de partida, não teto.

Dois erros comuns:

  • Um preço só, para tudo. Story de 15 segundos e vídeo roteirizado não custam a mesma coisa. Preço único faz o story parecer caro e o vídeo parecer barato.
  • Preço de quem você admira. Cobre pelo seu público, não pelo do criador grande do seu nicho. A marca sabe a diferença e passa reto.

O que decide entre você e o outro: biografia e portfólio

A marca abriu o seu perfil e o de mais um. Os números são parecidos. O que decide é a biografia: duas ou três frases que dizem o que você faz, para quem, e o que uma marca pode esperar. Seja concreto:

"Faço reviews de produtos para casa, gravados no meu apartamento em Belo Horizonte. Público de 25 a 40 anos, maioria mulheres da região metropolitana. Entrego em até 7 dias após receber o produto."

Isso responde às três perguntas da marca (o que, para quem, como) antes de ela precisar perguntar.

No portfólio, coloque as publis que você já fez — mesmo que tenham sido permuta. A marca quer ver como você integra um produto ao seu conteúdo, não quantas você já fez. Se nunca fez nenhuma, grave um vídeo de demonstração com um produto que você usa, como se fosse publi, e coloque. Vale mais que portfólio vazio.

O que evita briga depois: modo de trabalho e restrições

Diga como você trabalha: só grava e publica, ou também entrega o vídeo para a marca usar nas redes dela. Criador Completo, Veiculação ou UGC explica os três modos e o que muda no preço.

E diga o que você não faz: bebida, apostas, política, o que for. Marca respeita restrição escrita no perfil; o que ela não perdoa é descobrir na hora da proposta, depois de gastar tempo com você. Quando recusar uma publi ajuda a definir a sua lista.

O checklist final

Antes de considerar o perfil pronto, confira:

  • Nicho principal é o que você posta hoje
  • Cidade é onde está a sua audiência, conferida no painel
  • Gênero e idade da audiência tirados do painel, não estimados
  • Foto com rosto (ou com o que o seu conteúdo mostra), sem texto
  • Nome de exibição é o seu nome, não um link
  • Preço por formato, em todos os formatos que você faz
  • Biografia diz o que, para quem e como
  • Pelo menos um exemplo no portfólio
  • Modo de trabalho e restrições preenchidos

E quando a proposta chegar

Ela vem por escrito, com formato, prazo e valor. Você aceita, a marca paga, e o valor fica retido até o seu post ir ao ar — então você produz sabendo que o dinheiro existe. Como responder à primeira mensagem sem se desvalorizar está em marca te chamou: o primeiro contato.

Perfil claro não garante proposta. Mas perfil confuso garante que ela vá para outra pessoa.

Perguntas frequentes

Preciso ter muitos seguidores para receber proposta?

Não. Marca pequena procura público parecido com o cliente dela, não número grande. Um perfil com 3 mil seguidores concentrados numa cidade recebe proposta de comércio local que um perfil de 50 mil espalhados não recebe. O que precisa estar claro é quem é o seu público.

Devo colocar preço no perfil ou deixar "a combinar"?

Coloque preço. "A combinar" faz a marca pular para o próximo, porque ela está comparando vários perfis e não vai abrir conversa com cada um para descobrir o valor. Preço por formato, mesmo que você ajuste depois na proposta, é o que faz a marca mandar a primeira mensagem.

Posso cadastrar mais de uma rede?

Sim, cada conta tem o próprio perfil na vitrine, com preço, nicho e métricas próprios. Faz sentido: seu TikTok e seu Instagram têm públicos e formatos diferentes, e a marca contrata a conta que serve para ela.

O que faço se o meu nicho não está na lista?

Escolha o mais próximo como principal e use a biografia para dizer o específico. A marca filtra pelo nicho geral e decide pela descrição. "Lifestyle" com bio dizendo "rotina de mãe de gêmeos em Curitiba" recebe a proposta certa; "Outros" sem bio não recebe nenhuma.

Cadastrar e manter o perfil custa alguma coisa?

O cadastro e a vitrine são gratuitos no plano Free. Você define o próprio preço por formato, e o pagamento da marca fica retido na plataforma até o seu post ir ao ar.