Mídia kit de influenciador: o que a marca lê de verdade (com modelo pronto)

Quem recebe o seu mídia kit não quer conhecer você. Quer responder quatro perguntas e decidir. Um modelo pronto para copiar, e o que tirar do seu.

Thiago Araújo 6 min de leitura

A maior parte dos mídia kits que circula é um portfólio: foto bonita, uma frase sobre a "essência" do criador, logos de marcas antigas e um número grande de seguidores no meio.

Quem recebe não está procurando nada disso. Está com uma verba definida, alguns nomes na mesa e precisa escolher. O mídia kit não é a sua apresentação — é a ferramenta de decisão de quem vai te contratar.

Muda tudo quando você escreve pensando assim.

As quatro perguntas que a pessoa do outro lado precisa responder

  1. Quantas pessoas vão ver, de verdade?
  2. Essas pessoas são as minhas clientes?
  3. Já deu certo antes com alguém parecido comigo?
  4. Quanto custa e como eu fecho?

Se o seu documento responde as quatro, ele funciona. Se não responde alguma, a pessoa vai ter que perguntar — e às vezes ela simplesmente não pergunta, escolhe quem já respondeu.

Os blocos, na ordem que importa

1. Quem é você, em duas linhas

Nome, o que você faz, para quem. Sem adjetivo sobre si mesmo.

Ruim: "Sou apaixonada por compartilhar minha essência e conectar pessoas." Bom: "Falo de finanças para quem ganha até três salários mínimos e quer sair do vermelho. Publico três vezes por semana no Instagram e no TikTok."

2. Entrega, não vaidade

Aqui vai o coração do documento. Para cada plataforma, os últimos 30 ou 90 dias:

  • Mediana de visualizações por formato (Reels, story, vídeo)
  • Alcance do período
  • Seguidores — sim, mas como contexto, não como destaque
  • Salvamentos e compartilhamentos, se você tiver: são os sinais que mais impressionam quem entende, porque indicam conteúdo útil e não só bonito

Use mediana, não média. A média é distorcida por uma publicação que viralizou e faz você prometer o que não se repete — e é assim que se perde um cliente na primeira campanha. Se quiser entender essa conta com calma, ela está no artigo sobre quanto cobrar por publi.

3. Quem é o seu público

Idade, gênero, cidades ou estados principais. Se você fala com um nicho, diga o nicho.

Este bloco é o que faz uma conta de 8 mil seguidores ganhar de uma de 80 mil. A marca de uma padaria em Contagem não quer alcance nacional — quer gente que possa entrar na loja.

4. O que você entrega, em itens

Liste os formatos com o que está incluído em cada um: quantas rodadas de ajuste, prazo de entrega, se o roteiro é seu ou conjunto.

Um item bem descrito evita metade dos desentendimentos que aparecem depois.

5. Prova

Duas ou três campanhas, com o que aconteceu. Não precisa de gráfico:

"Padaria X, novembro: 1 Reels + 3 stories. 14 mil visualizações, 320 cliques no link, fila no sábado seguinte segundo o cliente."

Se você nunca fez publi, use um conteúdo orgânico que performou e diga que foi orgânico. Honestidade aqui vale mais que volume.

6. Como fechar

Faixa de preço inicial, forma de pagamento e o link para falar com você. Se estiver numa plataforma com pagamento protegido, diga — para a marca, "o valor fica retido até a publicação sair" tira o principal medo de contratar criador pequeno.

Onde achar cada número

Os menus dos aplicativos mudam de nome com frequência, então vale procurar pelo conteúdo e não pelo caminho exato:

O que você precisa Instagram TikTok YouTube
Visualizações por publicação insights de cada post analytics do vídeo painel de cada vídeo
Alcance do período visão geral de 30/90 dias visão geral do período impressões no período
Idade e gênero do público dados do público seguidores público
Cidades e países dados do público seguidores geografia
Salvamentos insights do post favoritos não existe (use "gostei"/comentários)

Anote os números num documento seu antes de montar o kit. Você vai atualizar isso a cada dois ou três meses, e ter a série guardada mostra evolução — que é um argumento e tanto.

O modelo pronto

Copie, troque os colchetes pelos seus dados e apague o que não se aplica:

[SEU NOME] — [o que você faz], [para quem]
[cidade] · [@seu_perfil] · [e-mail ou WhatsApp]

━━ ENTREGA (últimos 90 dias) ━━
Instagram @[perfil] — [X] seguidores
  Reels: mediana de [X] visualizações
  Stories: mediana de [X] visualizações
  Alcance no período: [X]

TikTok @[perfil] — [X] seguidores
  Mediana de visualizações: [X]

━━ PÚBLICO ━━
[X]% mulheres · [X]% homens
Faixa principal: [X] a [X] anos
Onde estão: [cidade 1] ([X]%), [cidade 2] ([X]%)
Nicho: [seu nicho]

━━ FORMATOS ━━
Reels no feed — roteiro conjunto, 1 rodada de ajuste, entrega em [X] dias
  a partir de R$ [X]
Sequência de 3 stories com link — entrega em [X] dias
  a partir de R$ [X]
Vídeo UGC (você posta, eu não publico no meu perfil) — a partir de R$ [X]

Itens cobrados à parte:
  Exclusividade de categoria — por [X] dias
  Direito de uso em mídia paga — por [X] dias

━━ JÁ FIZ ━━
[Marca], [mês/ano] — [o que entregou]. [Resultado concreto].
[Marca], [mês/ano] — [o que entregou]. [Resultado concreto].

━━ COMO FECHAR ━━
Trabalho com pagamento protegido: o valor fica retido e é liberado
quando você confere que a publicação saiu como combinado.
Perfil: [link]
Atualizado em [mês/ano].

Esse bloco cabe numa página. É essa a intenção.

Cinco coisas que derrubam um mídia kit

  • Número sem período. "50 mil de alcance" não diz nada. Alcance de quando?
  • Só o número de seguidores em destaque. Sinaliza que você não sabe o que a marca compra.
  • Print recortado sem a barra de data. Levanta a suspeita exata que você quer evitar.
  • Logos de marcas com quem você não trabalhou. Aparece como "marcas que admiro" e é lido como currículo inflado.
  • Sem forma de fechar. Acontece mais do que parece: o kit inteiro certo e nenhum contato clicável no fim.

E se eu já tenho perfil numa plataforma?

Aí metade do trabalho já está feita — desde que o perfil esteja completo.

Um perfil de marketplace faz o que o PDF não faz: os números ficam atualizados sozinhos, a marca vê preço, formatos e avaliações no mesmo lugar, e o pagamento já vem protegido. O que sobra para o mídia kit é o que só você sabe contar: os cases e o jeito de trabalhar.

Se você ainda não tem, criar o seu perfil na Alpha leva alguns minutos e resolve o bloco 6 inteiro — a marca fecha ali mesmo, com o valor retido até a entrega ser conferida.

O teste final

Antes de mandar, faça uma coisa: leia o seu mídia kit fingindo que você é o dono de uma loja com R$ 800 para gastar este mês.

Você contrataria você? Com essas informações, conseguiria decidir sem perguntar mais nada?

Se a resposta for não, é isso que falta.

Perguntas frequentes

Mídia kit precisa ser em PDF?

Não precisa, e o PDF tem uma desvantagem real: envelhece. Você manda em março, a pessoa abre em agosto e os números estão velhos sem ninguém perceber. Um link que você atualiza (ou o seu perfil numa plataforma) resolve isso. Se for de PDF, ponha a data no rodapé e refaça a cada dois ou três meses.

Posso fazer mídia kit se tenho poucos seguidores?

Pode e deve — inclusive é onde ele rende mais. Com base pequena, o mídia kit é o que tira a conversa do "quantos seguidores você tem" e leva para "quantas pessoas certas veem você". Mostre visualizações, salvamentos e de onde é o seu público. Esses números não dependem do tamanho.

Devo colocar o preço no mídia kit?

Coloque a faixa inicial ("a partir de"), não a tabela fechada. A faixa filtra quem não tem orçamento e economiza conversa. A tabela fechada tira o seu espaço de cobrar por exclusividade, direitos de uso e prazo — que é onde o valor sobe.

E se os meus números caíram?

Mostre os últimos 30 ou 90 dias mesmo assim, e mostre a mediana. Número inflado se descobre na primeira campanha, e aí você perde o cliente e a indicação. Queda com explicação honesta ("mudei de formato em maio") passa muito melhor que um recorde de um ano atrás.

Preciso pagar um designer?

Não. O que decide é a informação estar completa, verificável e organizada na ordem certa. Kit bonito com número vago perde para kit simples com dado claro. Se sobrar dinheiro, invista em foto boa — essa sim aparece.