Mídia kit de influenciador: o que a marca lê de verdade (com modelo pronto)
Quem recebe o seu mídia kit não quer conhecer você. Quer responder quatro perguntas e decidir. Um modelo pronto para copiar, e o que tirar do seu.
A maior parte dos mídia kits que circula é um portfólio: foto bonita, uma frase sobre a "essência" do criador, logos de marcas antigas e um número grande de seguidores no meio.
Quem recebe não está procurando nada disso. Está com uma verba definida, alguns nomes na mesa e precisa escolher. O mídia kit não é a sua apresentação — é a ferramenta de decisão de quem vai te contratar.
Muda tudo quando você escreve pensando assim.
As quatro perguntas que a pessoa do outro lado precisa responder
- Quantas pessoas vão ver, de verdade?
- Essas pessoas são as minhas clientes?
- Já deu certo antes com alguém parecido comigo?
- Quanto custa e como eu fecho?
Se o seu documento responde as quatro, ele funciona. Se não responde alguma, a pessoa vai ter que perguntar — e às vezes ela simplesmente não pergunta, escolhe quem já respondeu.
Os blocos, na ordem que importa
1. Quem é você, em duas linhas
Nome, o que você faz, para quem. Sem adjetivo sobre si mesmo.
Ruim: "Sou apaixonada por compartilhar minha essência e conectar pessoas." Bom: "Falo de finanças para quem ganha até três salários mínimos e quer sair do vermelho. Publico três vezes por semana no Instagram e no TikTok."
2. Entrega, não vaidade
Aqui vai o coração do documento. Para cada plataforma, os últimos 30 ou 90 dias:
- Mediana de visualizações por formato (Reels, story, vídeo)
- Alcance do período
- Seguidores — sim, mas como contexto, não como destaque
- Salvamentos e compartilhamentos, se você tiver: são os sinais que mais impressionam quem entende, porque indicam conteúdo útil e não só bonito
Use mediana, não média. A média é distorcida por uma publicação que viralizou e faz você prometer o que não se repete — e é assim que se perde um cliente na primeira campanha. Se quiser entender essa conta com calma, ela está no artigo sobre quanto cobrar por publi.
3. Quem é o seu público
Idade, gênero, cidades ou estados principais. Se você fala com um nicho, diga o nicho.
Este bloco é o que faz uma conta de 8 mil seguidores ganhar de uma de 80 mil. A marca de uma padaria em Contagem não quer alcance nacional — quer gente que possa entrar na loja.
4. O que você entrega, em itens
Liste os formatos com o que está incluído em cada um: quantas rodadas de ajuste, prazo de entrega, se o roteiro é seu ou conjunto.
Um item bem descrito evita metade dos desentendimentos que aparecem depois.
5. Prova
Duas ou três campanhas, com o que aconteceu. Não precisa de gráfico:
"Padaria X, novembro: 1 Reels + 3 stories. 14 mil visualizações, 320 cliques no link, fila no sábado seguinte segundo o cliente."
Se você nunca fez publi, use um conteúdo orgânico que performou e diga que foi orgânico. Honestidade aqui vale mais que volume.
6. Como fechar
Faixa de preço inicial, forma de pagamento e o link para falar com você. Se estiver numa plataforma com pagamento protegido, diga — para a marca, "o valor fica retido até a publicação sair" tira o principal medo de contratar criador pequeno.
Onde achar cada número
Os menus dos aplicativos mudam de nome com frequência, então vale procurar pelo conteúdo e não pelo caminho exato:
| O que você precisa | TikTok | YouTube | |
|---|---|---|---|
| Visualizações por publicação | insights de cada post | analytics do vídeo | painel de cada vídeo |
| Alcance do período | visão geral de 30/90 dias | visão geral do período | impressões no período |
| Idade e gênero do público | dados do público | seguidores | público |
| Cidades e países | dados do público | seguidores | geografia |
| Salvamentos | insights do post | favoritos | não existe (use "gostei"/comentários) |
Anote os números num documento seu antes de montar o kit. Você vai atualizar isso a cada dois ou três meses, e ter a série guardada mostra evolução — que é um argumento e tanto.
O modelo pronto
Copie, troque os colchetes pelos seus dados e apague o que não se aplica:
[SEU NOME] — [o que você faz], [para quem]
[cidade] · [@seu_perfil] · [e-mail ou WhatsApp]
━━ ENTREGA (últimos 90 dias) ━━
Instagram @[perfil] — [X] seguidores
Reels: mediana de [X] visualizações
Stories: mediana de [X] visualizações
Alcance no período: [X]
TikTok @[perfil] — [X] seguidores
Mediana de visualizações: [X]
━━ PÚBLICO ━━
[X]% mulheres · [X]% homens
Faixa principal: [X] a [X] anos
Onde estão: [cidade 1] ([X]%), [cidade 2] ([X]%)
Nicho: [seu nicho]
━━ FORMATOS ━━
Reels no feed — roteiro conjunto, 1 rodada de ajuste, entrega em [X] dias
a partir de R$ [X]
Sequência de 3 stories com link — entrega em [X] dias
a partir de R$ [X]
Vídeo UGC (você posta, eu não publico no meu perfil) — a partir de R$ [X]
Itens cobrados à parte:
Exclusividade de categoria — por [X] dias
Direito de uso em mídia paga — por [X] dias
━━ JÁ FIZ ━━
[Marca], [mês/ano] — [o que entregou]. [Resultado concreto].
[Marca], [mês/ano] — [o que entregou]. [Resultado concreto].
━━ COMO FECHAR ━━
Trabalho com pagamento protegido: o valor fica retido e é liberado
quando você confere que a publicação saiu como combinado.
Perfil: [link]
Atualizado em [mês/ano].
Esse bloco cabe numa página. É essa a intenção.
Cinco coisas que derrubam um mídia kit
- Número sem período. "50 mil de alcance" não diz nada. Alcance de quando?
- Só o número de seguidores em destaque. Sinaliza que você não sabe o que a marca compra.
- Print recortado sem a barra de data. Levanta a suspeita exata que você quer evitar.
- Logos de marcas com quem você não trabalhou. Aparece como "marcas que admiro" e é lido como currículo inflado.
- Sem forma de fechar. Acontece mais do que parece: o kit inteiro certo e nenhum contato clicável no fim.
E se eu já tenho perfil numa plataforma?
Aí metade do trabalho já está feita — desde que o perfil esteja completo.
Um perfil de marketplace faz o que o PDF não faz: os números ficam atualizados sozinhos, a marca vê preço, formatos e avaliações no mesmo lugar, e o pagamento já vem protegido. O que sobra para o mídia kit é o que só você sabe contar: os cases e o jeito de trabalhar.
Se você ainda não tem, criar o seu perfil na Alpha leva alguns minutos e resolve o bloco 6 inteiro — a marca fecha ali mesmo, com o valor retido até a entrega ser conferida.
O teste final
Antes de mandar, faça uma coisa: leia o seu mídia kit fingindo que você é o dono de uma loja com R$ 800 para gastar este mês.
Você contrataria você? Com essas informações, conseguiria decidir sem perguntar mais nada?
Se a resposta for não, é isso que falta.
Perguntas frequentes
Mídia kit precisa ser em PDF?
Não precisa, e o PDF tem uma desvantagem real: envelhece. Você manda em março, a pessoa abre em agosto e os números estão velhos sem ninguém perceber. Um link que você atualiza (ou o seu perfil numa plataforma) resolve isso. Se for de PDF, ponha a data no rodapé e refaça a cada dois ou três meses.
Posso fazer mídia kit se tenho poucos seguidores?
Pode e deve — inclusive é onde ele rende mais. Com base pequena, o mídia kit é o que tira a conversa do "quantos seguidores você tem" e leva para "quantas pessoas certas veem você". Mostre visualizações, salvamentos e de onde é o seu público. Esses números não dependem do tamanho.
Devo colocar o preço no mídia kit?
Coloque a faixa inicial ("a partir de"), não a tabela fechada. A faixa filtra quem não tem orçamento e economiza conversa. A tabela fechada tira o seu espaço de cobrar por exclusividade, direitos de uso e prazo — que é onde o valor sobe.
E se os meus números caíram?
Mostre os últimos 30 ou 90 dias mesmo assim, e mostre a mediana. Número inflado se descobre na primeira campanha, e aí você perde o cliente e a indicação. Queda com explicação honesta ("mudei de formato em maio") passa muito melhor que um recorde de um ano atrás.
Preciso pagar um designer?
Não. O que decide é a informação estar completa, verificável e organizada na ordem certa. Kit bonito com número vago perde para kit simples com dado claro. Se sobrar dinheiro, invista em foto boa — essa sim aparece.